segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Parece difícil, dizem os especialistas


“Vamos falar sobre coisas da qual conseguimos fazer e parar com neuras porque isso não leva a nada”, disse a sonolenta e dispersa jornalista, Anayana Silva. Para ela, está muito difícil finalizar a dissertação e ela teme que a sua orientadora não entenda suas razões. Ela sabe que suas razões seriam contornáveis, mais por uma série de outras razões, íntimas e altamente subjetivas, não houve como passar por aquelas primeiras. Ela se esqueceu de tomar seu remédio da felicidade hoje e, embora haja três dias para que a substância deixe de habitar seu corpo, ela sabe que o efeito psicológico começara agora que ela se lembrou do esquecimento. Ela está com frio e não vê a hora de ir ver a rua e passear, porque o computador é muito chato e o ar-condicionado é instável. Que fique claro que ela não está com falta de vontade, apenas falta de um motivador ou de algo que faça a diferença neste momento para escrever a matéria que precisa estar pronta daqui a pouco. Ela acredita que o motivo é o momento controverso que vive, prestes a casar, defender um mestrado, fazer 26 anos e não ter a menor idéia de planejamento para sua vida, querer fazer tudo ao mesmo tempo e acreditar que depois de terminar o mestrado, verá tevê, filmes, séries, vai fazer um curso de inglês, artesanato e fotografia. Mas na verdade ela deverá se comprometer com mais um projeto que não é exatamente o que ela quer, mas que fará porque não consegue dizer não. Ela sente que deveria casar e ir morar com seu futuro marido, mas razões altamente técnicas (e um pouco de teimosia) a impedem. O que parece, para ela, é que este seria o caminho mais natural e mais fácil. Contudo, ela não quer dar o braço a torcer e argumenta que sua vida profissional é relevantíssima para o mundo, o universo e tudo mais. Há controvérsias.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Meia hora

Calor. Dia difícil. Sono desregulado.
Pra não ficar revirando na cama, levanto pra fazer um chá de alfazema. Ajuda a dormir.
Escolho não acender as luzes.
A vista das janelas mostram ruas e carros passando.
E as luzes dos prédios vizinhos, que se apagam e acendem numa dança inexplicável para mim.
Ao longe, um grito de gol.
É quarta-feira no país do futebol.
O líquido da xícara deixa de habitá-la e passa a fazer parte do meu sistema digestivo.
As propriedades da planta medicinal começam e fazer seu papel: olhos ficam mais pesados e os músculos dão sinal de que aceitarão o repouso.
Penso que poderia escrever mais sobre as coisas que vejo e passo. Prometo a mim mesma fazer mais isso. Aquela ideia genial de história que tive na fila da lotérica ou enquanto secava o cabelo não vai mais se perder.
Espero o efeito do chá antes que eu me prometa mais coisas que não consigo cumprir.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Fome de quê?

Mercado. Decidir o que comprar pra comer. Decisão difícil.
Não quer pão branco, nem bifes. Bolachas não animam, nem macarrão colorido.
Queijo? Batata frita? Vinho?
Gôndolas dos produtos de limpeza, das utilidades para o lar.
Nada de idéias. Pensa no que pode fazer pra jantar, pro almoço dos próximo dias, na visita que chega em dois dias. Nada. Nem fome, nem lembranças de pratos que podem ser deliciosos.

No corredor onde estavam plásticos e enfeites de Natal, a solução. Um mostrador de livros. Hoje, o armário da cozinha continuará vazio, mas vai faltar lugar na estante.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Fugir

Queria correr pra bem longe, sentir o vento no rosto, ver novidades.

Foi até a academia e ficou meia hora na esteira.

sábado, 20 de agosto de 2011

Já que eu não posso mudar de casa ou cidade, vou testando infinitos leiautes nesse blog bobo, brincando com as cores, pra ver se o sangue nômade em mim se acalma e se satisfaz com só um pouquinho.

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Vou até tentar uns versinhos:

Queria variar
A lua mudou
E eu fiquei no mesmo lugar

Não, né!?